Durante anos, uma das grandes preocupações do marketing digital foi conquistar as primeiras posições do Google. SEO, palavras-chave, backlinks, autoridade de domínio e conteúdo relevante passaram a fazer parte da estratégia de praticamente qualquer empresa que desejasse ser encontrada.
Agora, uma nova camada começa a ganhar importância: ser encontrado pelas Inteligências Artificiais.
Quando alguém pergunta ao ChatGPT, Gemini, Perplexity ou outra plataforma qual empresa contratar, qual produto escolher ou quais são as referências de determinado mercado, a resposta não apresenta necessariamente uma página cheia de links.
Ela seleciona, organiza e recomenda informações.
E isso muda bastante o jogo.
Segundo artigo publicado pelo Mundo do Marketing, 72,4% dos brasileiros ainda recorrem primeiro ao Google para pesquisar produtos e serviços. As ferramentas de IA representam 4,4% das buscas com intenção de compra, mas a projeção apresentada é de que essa participação se aproxime de 10% no próximo ano.
É nesse cenário que ganha espaço o GEO — Generative Engine Optimization.
Se o SEO trabalha para melhorar a posição de uma página nos mecanismos de busca, o GEO busca aumentar as chances de uma marca, empresa ou conteúdo ser utilizado como referência nas respostas produzidas pelas IAs.
Isso significa que a disputa deixa de acontecer apenas pelo clique. Passa também pela citação, pela recomendação e pela autoridade.
O que faz uma marca ser relevante para as IAs?
A matéria destaca cinco pilares importantes: autoridade de marca, conteúdo estruturado, relevância semântica, acessibilidade técnica e presença multiplataforma.
Na prática, porém, todos eles apontam para algo que o marketing já deveria estar construindo: consistência de marca no ambiente digital.
Não basta publicar muito.
É preciso produzir conteúdos capazes de demonstrar conhecimento sobre um determinado território, responder perguntas reais do público, apresentar informações confiáveis e manter coerência entre site, redes sociais, artigos, vídeos, imprensa e outras fontes digitais.
Quanto mais clara for a associação entre uma marca e determinado assunto, maior tende a ser sua autoridade naquele território.
E aqui branding, conteúdo, relações públicas, SEO e tecnologia começam a se encontrar.
O site continua importante. Mas ele não está sozinho.
Outro ponto interessante dessa transformação é perceber que a presença digital de uma empresa não pode mais depender exclusivamente do próprio site.
As IAs podem consultar notícias, redes sociais, vídeos, comunidades, estudos, artigos e diferentes fontes para construir uma resposta.
Isso reforça algo que já defendemos há algum tempo: presença digital é um ecossistema.
Uma empresa que publica bons artigos em seu site, mantém um LinkedIn relevante, aparece em veículos confiáveis, produz vídeos, compartilha conhecimento e mantém consistência em sua comunicação cria uma rede de sinais sobre quem ela é e sobre os assuntos em que possui autoridade.
O GEO amplia ainda mais a importância dessa construção.
De “ser encontrado” para “ser reconhecido”
Talvez essa seja uma das mudanças mais interessantes provocadas pela IA no marketing.
Durante muito tempo, perguntávamos:
“Como fazer minha empresa aparecer no Google?”
Agora precisamos acrescentar outra pergunta:
“Por que uma Inteligência Artificial deveria considerar minha empresa uma referência?”
A resposta provavelmente não estará em uma única técnica.
Estará na combinação entre marca forte, conteúdo relevante, autoridade, presença digital consistente e estrutura tecnológica adequada.
SEO continua importante. Redes sociais continuam importantes. Branding continua importante.
Mas todos esses pontos passam a fazer parte de uma disputa maior: construir uma marca reconhecida não apenas pelas pessoas, mas também pelos sistemas que cada vez mais ajudam essas pessoas a tomar decisões.
E talvez o próximo indicador relevante do marketing não seja apenas quantas pessoas encontraram sua empresa.
Mas quantas vezes sua marca foi considerada uma resposta.
Fonte: artigo “Como aparecer nas IAs em 2026: GEO e seus pilares”, de Julia Neves, publicado no Mundo do Marketing em 11 de agosto de 2026.